O ‘CDF’ amigo do apresentador Silvio Santos assume no lugar de Rômulo

Com 74 anos de idade, natural de Sousa, o deputado Marcondes Gadelha vai assumir a vaga do falecido deputado federal Rômulo Gouveia com um histórico marcado por curiosidades. É amigo pessoal do apresentador de TV, Sílvio Santos, do SBT, por vários motivos.

Em 1989, foi um dos que incentivou Sílvio Santos a se lançar candidato a Presidente da República.

Em 2001, Marcondes ganhou fama quando participou Show do Milhão dos Políticos,  Programa do SBT, apresentado pelo próprio Sílvio e  quando ganhou R$ 500 mil. Desistiu de concorrer a R$ 1 milhão na última pergunta.

Sílvio Santos em campanha em 1989

NA CORRIDA PRESIDENCIAL
Marcondes teve seu momento mais controverso na história política do País em 1989 quando, ao lado do governador do Piauí, Hugo Napoleão, e do senador Edson Lobão, lançou Silvio Santos como candidato à Presidência da República. O fato rendeu aos três o apelido de “três porquinhos” por inventarem um lobo mau imbatível no processo eleitoral. “Era uma jogada política. Optamos por um nome popular de centro para enfrentar o populismo de esquerda do Lula, e o de direita do Collor que na época estavam muito fortes”, explica.

Silvio Santos acabou tendo sua candidatura impugnada, e Gadelha parece ter sido o porquinho que construiu a casa de palha. Perdeu em seguida a eleição para o governo da Paraíba e amargou oito anos de ostracismo político. “Não foi por culpa da candidatura Silvio Santos. Eu enfrentei uma oposição muito pesada em meu Estado”, revela. A relação de amizade com o empresário e apresentador, no entanto, se manteve. Foi então uma marmelada a vitória no Show do Milhão? “Se foi, eu gostaria de participar de outra, mas com fiscalização da ONU”, rebate, ofendido na vaidade. “O máximo que eu admito é que ele tenha me convidado por sermos amigos. Mas os outros também gozam da amizade do Silvio.”

SHOW DO MILHÃO
O Portal Terra, em dezembro de 2001, assim registrou a passagem de Marcondes no Show do Milhão.

Orgulhoso, não perde a oportunidade de exibir a vasta cultura geral, ri dos erros dos adversários e responde com bom humor às inevitáveis piadinhas: “Vou gastá-los bem”. A metade do que ganhou será destinada a instituições de caridade de seu Estado, a Paraíba, como ficou acertado com a produção do programa. “Já tenho algumas em vista, mas quero estudar bem para que o dinheiro seja melhor aproveitado”, diz. Com a outra metade, ele pretende financiar a própria campanha de reeleição e montar um consultório para a filha que está se formando em medicina. “Comemoramos juntos o resultado final”, revela o deputado pefelista, que estourou uma garrafa de champanhe ao chegar em casa e brindou com a mulher, Magda Lúcia de Melo Gadelha, e os filhos, Leonardo, 30 anos, Mariana, 25, e Bertha, 21 anos.

Para a família o resultado não foi exatamente uma surpresa. Afinal, Gadelha é o que se pode chamar de enciclopédia ambulante. Desde os primeiros anos de vida escolar se destacou entre os melhores da turma. Como aluno de um colégio interno em Patos, na Paraíba, aprendeu cedo a estudar sozinho devido ao rigor do padres. Foi quarto colocado no vestibular de medicina de seu Estado e eleito o orador da turma, quando expôs pela primeira vez seu lado político. Exerceu por 11 anos a profissão de médico cirurgião sem nunca deixar os estudos de lado. Fala inglês, francês, espanhol, lê italiano, domina o latim e tem noções gerais de vários outros idiomas, como o grego, por exemplo. “Conheço a etimologia das palavras. Foi o que me ajudou muito no programa”, revela. Além disso é um leitor contumaz. Atualmente devora dois livros de física quântica: E igual a MC2 e O Universo na Casca de Noz. “Estudar para mim é um vício. Estou sempre aprendendo”, conta.

Gadelha tirou uma parte do dinheiro para ajudar instituições de caridade e outra parte foi apara ajudar parentes.

PERFIL
Marcondes Iran Benevides Gadelha (Sousa, 23 de julho de 1943) é um médico e político brasileiro. É vice-presidente nacional do Partido Social Cristão (PSC).

Nasceu em Sousa, localizada no sertão paraibano, formou-se em Medicina pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e iniciou a carreira política no final dos anos 60. Ao longo das décadas seguintes exerceu diversos cargos.

Já exerceu o cargo de deputado federal por seis legislaturas, nos períodos de 1971 a 1975, 1975 a 1979, 1979 a 1983, 1999 a 2003, 2003 a 2007 e 2007 a 2011. Também exerceu o cargo de senador da república no período de 1983 a 1991. Em 2010, candidatou-se a primeiro suplente de senador na chapa de Wilson Santiago.
Em 1989, candidatou-se a vice-presidente, na chapa de Silvio Santos, pelo PMB. Mas o registro da chapa Silvio–Marcondes foi impugnado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por conta do cancelamento do registro do PMB, a pedido da campanha de Fernando Collor.

Marcondes destaca-se por ser um dos parlamentares que defendem de maneira ferrenha o projeto de transposição das águas do rio São Francisco.

Seu filho, Leonardo Gadelha, exercia o cargo de 1º suplente de deputado federal na Paraíba, mas assumiu a cadeira no Congresso Nacional após a saída de Aguinaldo Ribeiro (PP) para ocupar o Ministério das Cidades. Seu irmão, Salomão Benevides Gadelha, foi prefeito por duas vezes da cidade de Sousa (2002-2004 e 2005-2008).

News Reporter

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