A disputa pelo comando do governo da Paraíba em 2026 já começou a ganhar forma nos bastidores políticos, mesmo antes do calendário eleitoral oficial. A saída do atual governador João Azevêdo (PSB), que deve concorrer ao Senado, abriu espaço para uma corrida mais acirrada e estratégica, marcada por alianças municipais, ուժo das máquinas públicas e reorganização de grupos tradicionais.
Nesse novo tabuleiro, prefeitos, bases regionais e articulações políticas passam a ser decisivos para definir quem chega forte e quem corre risco real de ficar pelo caminho.
Cidades-chave concentram força eleitoral
Os maiores colégios eleitorais seguem determinantes. João Pessoa e Campina Grande lideram com folga em número de eleitores e continuam sendo o centro das decisões políticas no estado.
O prefeito Cícero Lucena (MDB), pré-candidato ao governo, aposta na força da capital como base eleitoral. Já em Campina Grande, o prefeito Bruno Cunha Lima (União Brasil) reforça o campo da oposição, com apoio do senador Efraim Filho.
Além dessas cidades, municípios da região metropolitana e polos do interior ampliam seu peso, criando um cenário mais descentralizado e competitivo.
Interior ganha protagonismo na disputa
Regiões como Sertão, Brejo e Agreste entram de vez no jogo. Cidades como Patos, Guarabira e Cajazeiras passam a ser estratégicas na montagem de alianças.
O prefeito de Patos, Nabor Wanderley (Republicanos), por exemplo, fortalece sua influência regional e surge como nome relevante na disputa ao Senado.
Já o vice-governador Lucas Ribeiro (PP) aparece como um dos principais beneficiados nesse cenário, acumulando apoio de dezenas de prefeitos e consolidando capilaridade política em todo o estado.
Quem cresce na corrida pelo governo
Entre os nomes colocados, Lucas Ribeiro desponta como o mais estruturado politicamente até o momento. O apoio de prefeitos e o respaldo da máquina estadual colocam seu projeto em posição privilegiada.
Além disso, o alinhamento com lideranças como Hugo Motta, Daniella Ribeiro e Aguinaldo Ribeiro reforça sua base e amplia seu alcance eleitoral.
Enquanto isso, Cícero Lucena aposta em uma estratégia mais concentrada nos grandes centros urbanos, tentando expandir sua influência para o interior — um desafio ainda em andamento.
Candidatos enfrentam fragilidades e incertezas
Apesar da movimentação intensa, alguns nomes enfrentam dificuldades claras.
Efraim Filho e a indefinição política
O senador Efraim Filho mantém relevância, mas sua postura ainda indefinida — sem confirmar se disputará o governo — pode enfraquecer sua posição. A falta de clareza estratégica abre espaço para perda de protagonismo e migração de aliados.
Pedro Cunha Lima e a falta de estrutura
Pedro Cunha Lima (PSDB), que foi destaque na eleição anterior, enfrenta um cenário mais complicado. Sem controle de máquinas administrativas e com base política limitada, depende fortemente de sua visibilidade e histórico eleitoral.
Esse fator pesa em um contexto onde estrutura e presença territorial são decisivos.
Cícero Lucena: força local, dificuldade estadual
Cícero Lucena tem como principal trunfo João Pessoa, mas encontra obstáculos para expandir sua candidatura pelo interior. O rompimento com o grupo do governo estadual dificultou alianças mais amplas.
A dependência da capital pode se tornar um problema em uma eleição onde o voto regionalizado costuma ser determinante.
Disputa pelo Senado também será acirrada
Com duas vagas em jogo, a eleição para o Senado promete ser igualmente competitiva.
João Azevêdo surge como favorito inicial, impulsionado pela visibilidade e pela força do governo estadual. No entanto, sua capacidade de transferência de votos será testada após deixar o cargo.
Já Veneziano Vital do Rêgo (MDB), que busca reeleição, enfrenta desgaste político e precisa reforçar alianças para manter competitividade.
Outro nome em ascensão é Nabor Wanderley, que tenta ampliar sua influência além do Sertão, superando a limitação regional.
Cenário aberto e disputa imprevisível
O que se desenha até agora é um cenário marcado por incerteza e forte dependência de alianças políticas. Enquanto a base governista demonstra maior organização, adversários ainda buscam consolidar projetos viáveis.
A tendência é que a eleição de 2026 na Paraíba seja definida menos por popularidade isolada e mais por estrutura política, articulação regional e capacidade de formar alianças sólidas.
Com o avanço das negociações e a definição das candidaturas, o cenário deve ganhar contornos mais claros — mas, por enquanto, o jogo segue totalmente aberto.
