Globo limita debate presidencial a quatro candidatos e aumenta possibilidade de participação de Lula e Flávio

Emissora convidou Lula, Flávio Bolsonaro, Augusto Cury e Ronaldo Caiado para o encontro de 1º de outubro; Renan Santos e Romeu Zema contestam o critério adotado

A decisão da TV Globo de limitar a quatro o número de candidatos convidados para o debate presidencial de 1º de outubro alterou o cenário para a participação de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Os dois nomes passaram a ter maior possibilidade de comparecer ao encontro, segundo apuração da CNN Brasil.

A emissora convidou Lula, Flávio, Augusto Cury (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD). A Globo, no entanto, poderá ampliar o número de participantes caso algum dos convidados não compareça.

O debate será transmitido depois do Jornal Nacional e também terá transmissão simultânea pela GloboNews e pelo g1, conforme o planejamento divulgado pela emissora para a cobertura das Eleições 2026.

Critério para os convites

O critério utilizado considera a representação dos partidos e federações no Congresso Nacional. Segundo a regra citada pela CNN Brasil, o convite é obrigatório para presidenciáveis cujas legendas ou federações tenham pelo menos cinco parlamentares eleitos em 2022.

A redução do número de participantes também modificou os cálculos das campanhas. A equipe de Lula vinha resistindo à presença do presidente nos debates do primeiro turno diante da possibilidade de ele enfrentar simultaneamente cinco candidatos de direita.

Segundo uma fonte ligada à campanha petista, caso Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) também fossem convidados, a possibilidade de Lula participar do debate seria próxima de zero.

Com a configuração atual, a campanha de Lula deixou sem compromissos a agenda dos dias 30 de setembro e 1º de outubro. A véspera do debate deverá ser utilizada para a preparação do presidente.

Flávio condiciona presença à participação de Lula

A eventual presença de Lula também influencia diretamente a decisão de Flávio Bolsonaro. De acordo com aliados do senador, ele mantém a estratégia de participar de um debate no primeiro turno somente se o petista também estiver presente.

A avaliação da equipe de Flávio é que Ronaldo Caiado e Augusto Cury não são tratados como adversários diretos do senador nos debates, apesar das manifestações em favor do chamado voto útil.

Em um encontro sem Lula, a campanha de Flávio considera que o senador poderia se tornar o principal alvo dos demais participantes, já que os candidatos disputam parcelas semelhantes do eleitorado.

A estratégia representa uma mudança em relação ao primeiro debate presidencial televisionado de 2026. No encontro promovido pela Band em agosto, Lula e Flávio não participaram, enquanto outros presidenciáveis estiveram presentes.

Renan Santos e Zema contestam decisão

A escolha da Globo provocou reação de candidatos que ficaram fora da lista de convidados.

Renan Santos classificou a decisão como “absurda” e afirmou que pretende apresentar uma manifestação em resposta. Em vídeo, o candidato do Missão comparou o formato deste ano com a eleição anterior e questionou a redução do número de participantes.

“Na última eleição convidaram sete candidatos e agora reduziram para quatro”, afirmou Renan. Ele também mencionou as dificuldades enfrentadas por sua campanha e disse que pretende continuar a disputa eleitoral.

Integrantes da campanha de Romeu Zema, por sua vez, afirmaram sob reserva que receberam a decisão com “frustração” e que estudavam alternativas para contestar o critério adotado pela emissora.

Debate ocorre na reta final do primeiro turno

O encontro está marcado para 1º de outubro, três dias antes do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro.

A Globo anunciou que o debate presidencial ocupará a faixa normalmente destinada à novela das 21h, logo depois do Jornal Nacional. A emissora também programou uma cobertura eleitoral ampliada para o primeiro turno, com debates, entrevistas e acompanhamento das campanhas.

Atualmente, o TSE registra 12 chapas na disputa pela Presidência da República. A Corte concluiu em 11 de setembro a análise dos registros, após aprovar a candidatura de Augusto Cury e indeferir a chapa de Pablo Marçal.

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