A escalada militar entre os Estados Unidos e o Irã atingiu um novo patamar nesta sexta-feira (17), com a intensificação dos bombardeios americanos em território iraniano e contra-ataques de Teerã a bases dos EUA distribuídas pelo Oriente Médio. Desde o colapso do acordo provisório de cessar-fogo, ocorrido em 7 de julho, ambas as nações testam os limites de uma possível guerra total.
Os bombardeios mais recentes das forças americanas concentraram-se na infraestrutura logística militar do sul do Irã. De acordo com a mídia estatal iraniana, pelo menos cinco pontes foram atingidas na região portuária de Bandar Khamir, resultando em sete mortes e danos a uma estação de trem. Relatos também indicam um ataque a um aeroporto em Iranshahr, próximo à fronteira com o Paquistão, e outra ocorrência fatal no porto de Bandar Abbas. As informações sobre vítimas ainda não puderam ser verificadas de forma independente pela Reuters.
Em retaliação, o governo iraniano realizou ofensivas contra instalações militares dos EUA localizadas no Kuwait e no Bahrein, além de atingir uma estação de radar em Omã. Explosões também foram registradas em Doha, no Catar, onde estilhaços feriram uma criança. O Irã ainda afirmou ter disparado contra uma base de forças especiais americanas em Tanf, na Síria — embora fontes militares sírias declarem que o local havia sido desocupado no início do ano e que o impacto ocorreu nas proximidades, sem deixar vítimas.
Impacto econômico e bloqueio no Estreito de Ormuz
O retorno das hostilidades paralisou o tráfego de navios no Estreito de Ormuz, principal rota de escoamento de energia global. O Irã decretou o fechamento da via marítima, enquanto Washington restabeleceu um bloqueio naval aos portos iranianos. Como consequência imediata da interrupção do fornecimento de combustível, o preço do barril de petróleo disparou para aproximadamente 85 dólares nesta semana.
Incidentes recentes em alto-mar incluem a abordagem militar americana ao navio-tanque Wen Yao para aplicação das sanções, além do registro do serviço britânico de segurança marítima (UKMTO) de que outra embarcação petroleira foi atingida por um projétil na costa de Omã.
Ameaças de escalada e bastidores políticos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou expandir os ataques aéreos contra a infraestrutura do Irã e mantém em aberto a possibilidade de uma operação terrestre na costa ou em ilhas do país. Autoridades norte-americanas indicaram que as ações no sul do Irã buscam fornecer opções estratégicas ao governo. Em pronunciamento televisivo na noite de quinta-feira (16), Trump afirmou que o país vem obtendo resultados expressivos em relação ao Irã.
Por outro lado, Teerã advertiu que qualquer ataque à sua infraestrutura principal resultará em retaliações contra alvos civis e econômicos em todo o Oriente Médio. Fontes informaram à Reuters que o Irã já instruiu os rebeldes Houthis, no Iêmen, a agirem caso Washington cumpra as ameaças. A medida pode estender o bloqueio ao estreito de Bab el-Mandeb, na entrada do Mar Vermelho, agravando ainda mais a crise energética internacional.
